No dia 02/12/55, chega ao Brasil o jovem sacerdote Giovani Valdástico Pattarello, juntando-se aos orionitas que aqui estavam. Na função de Provincial no Brasil, realiza a 1ª reunião de Conselho no Rio de Janeiro e inaugura algumas obras no interior de São Paulo. Em seguida, atendendo ao apelo de Dom Anselmo Pietrula, recém-sagrado bispo de Tubarão, Pe. Giovani Valdástico Pattarello vem a Santa Catarina. Dom Gregório Peterle vigário geral da diocese de Tubarão juntamente com o bispo Dom Anselmo Pietrulla, discutiram com o provincial, a possibilidade do trabalho orionita na diocese, através da paróquia e seminário. Assim, no Natal de 1955, Pe. Giovani Valdástico Patarello, juntamente com o Pe. Pedro Pellanda, estavam em Urussanga atendendo à confissões e resolveram conhecer as comunidades de Beluno e Treviso. Segundo Pe. Agenor Neves Marques, pároco da época, a comunidade de Treviso mostrou bastante interesse na construção do Seminário naquela localidade mas, concluiu-se que o Seminário seria construído em Siderópolis por estar bastante próximo à Criciúma (cidade maior), Nova Veneza e Urussanga, todas com bastante colonizadores italianos. Houve interesse por um terreno em Santa Luzia, mas por não ter água, o terreno mais adequado foi realmente próximo à Igreja Matriz em Siderópolis e adquirido da Sra. Otília Pascoal.

No dia 29 de fevereiro de 1956 foi assumida a Paróquia Nossa Senhora Aparecida, pelos orionitas, com a indicação do Pe. Pedro Pellanda como pároco e guia da comunidade. A tomada de posse aconteceu em 8 de março de 1956.

Como a campanha vocacional já começou antes da construção do Seminário, os primeiros seminaristas, ficaram alguns dias na casa paroquial e em seguida, num antigo prédio localizado hoje na Rua Engenheiro Lírio Búrigo, sendo proprietários do mesmo, a família Webster. O espaço foi alugado aos orionitas.

Em 25/03/56, a casa contava com 12 seminaristas que permaneceram no prédio durante 1 ano até que o pavilhão estivesse terminado. Na época contavam com a atenção e carinho da professora, Sara Inês Moretti, Solange Dal Farra e a Sra. Maria Pasquali como cozinheira.

No dia 25 de março do mesmo ano de 1956, dia da Nossa Senhora da Anunciação, foi lançada a pedra fundamental do Seminário São Pio X, na presença do Bispo Dom Anselmo Pietrulla e o Provincial, Pe. Giovanni Valdástico Patarello. A pedra fundamental cujas medidas eram de 40cm x 60cm foi produzida pelo Senhor Alberto Brunel, indicado pelo Pe. Pedro Pellanda. O letreiro cravado com ponteiro, continha:

Instituto São Pio X

25 / 03 / 56
Nesta data, em seu discurso, Pe. Giovani Valdástico Patarello misturava as línguas, um pouco italiano, um pouco português. Pe. Agenor Neves Marques pediu que continuasse em latim… Segundo Sra. Amélia Savaris, parte do discurso do Pe. Patarello, na presença de muitos convidados, assim dizia: “anche io ho lasciato la mia mamma in Italia e sono venuto in Brasile e la mia mamma me há detto’ vatte figlio – vatte figlios. E encerrou dizendo: E viva o Bispa! Todos sorriram e aplaudiram …

Após o lançamento da Pedra Fundamental, foi criada uma comissão responsável em pedir ajuda para a construção do Seminário. Sr. Antonio Darolt era um dos integrantes desta comissão. A ajuda acontecia através de dinheiro, material de construção e alimentos. A Companhia Siderúrgica Nacional e Treviso auxiliava a casa através do empréstimo de máquinas e caminhões.

Desenvolveu-se então em todas as casas e paróquias da Província a Campanha do tijolo para a construção do Seminário e não houve obra da Congregação no Brasil que não colaborasse.

O Pe. Pedro Pellanda, diretor na época, as vezes desaparecia durante oito dias, em busca de donativos para o Seminário e ao mesmo tempo fazia campanha vocacional. Segundo seu Alberto Brunel, Pe. Pedro Pellanda tinha muita facilidade em “cavar as coisas”. Certo dia, chegando na localidade de Rio Jordão, Siderópolis, numa casa de família, pediu para que a senhora doasse um dos leitõezinhos que estavam se alimentando no terreiro. Imediatamente, a senhora colocou: – Não posso, pois tenho seis filhos para criar. O Pe. Pedro Pellanda completou: – Imagine a senhora, eu tenho 60 filhos! Claro que o argumento possibilitou o presente. Continuava assim sua batalha para fazer acontecer seu sonho e do Pe. Giovani Valdástico Patarello. Muitas vezes, contava Sra. Rosalinda da Boit, ele se alimentava simplesmente de pão e água.

Pe. Genésio Polli em seu livro “Os Filhos de Dom Orione no Brasil” , escreve: Pe. José Rosin, logo após sua ordenação em Roma, no dia 15/07/56, partiu da Itália chegando à Siderópolis em março de 1957, juntamente com Pe. Rino Vacari e iniciando o seminário com 17 aspirantes, morando em casa alugada, já mencionada anteriormente. O aspirante Olívio Rosso, na ocasião, foi encaminhado a Belo Horizonte para continuar seus estudos.

No dia 12 de maio de 1958 o estabelecimento é registrado com 3 subdivisões: Instituto São Pio X, Ginásio Dom Orione e Escola Agrícola São Defende. Pe. Pedro Pellanda era o diretor.
Em 15/06/58, o pavilhão ainda inacabado é inaugurado e começa a funcionar com 70 seminaristas. Entre eles, o aspirante José Da Boit.

Siderópolis não possuía um educandário para seus filhos, que lhes desse boa formação científica e cristã. A grande maioria terminava os estudos na 4ª Série ou no complementar. Alguns iam para Seminários da região e outros para a capital, o que implicava em muitos gastos. A realidade em termos de educação e ensino, não correspondia às expectativas do Bispo Dom Anselmo Pietrulla, em relação à região diocesana. E, “Dom Orione” abre as portas do Seminário à educação em maio de 58, através do Ginásio Dom Orione com a finalidade de auxiliar as classes menos favorecidas da cidade e da zona rural de Siderópolis, bem como os filhos dos empregados das companhias carboníferas da região melhor formação científica e religiosa, em colaboração com a Campanha Nacional de fixação dos povos nas zonas rurais, evitando a emigração para centros urbanos maiores, por falta de escolas secundárias.

Em 59, chega à Siderópolis como vice pároco, Pe. Nello Bononi. Os seminaristas são em número de 45. Sra. Sara Inês Moretti empresta aproximadamente 100 coleções de sua biblioteca particular, para possibilitar o funcionamento da escola junto ao Instituto. Os seminaristas da época transportaram estes livros com carrinho de mão.

Em 1960, acontece a autorização para funcionamento do Ginásio.

Os objetivos específicos do Ginásio era ministrar ensino cívico, moral, secundário e religioso dentro dos planos, leis e normas estabelecidas pelas leis federais e entidade mantenedora. A estrutura administrativa era constituída pelo diretor autorizado na época, Pe. Domingos Sangüim e Pe. José Rosin, pelos cursos já freqüentados sobre secretaria, foi indicado secretário.

O regime do Ginásio Dom Orione era internato e externato exclusivamente masculino.

O turno era matutino, das 8h às 12h.

Os primeiros professores foram:

  • Connector.

    Português

    Cl. Augusto Antônio da Silva

  • Connector.

    Latim

    Cl. Augusto Antônio da Silva

  • Connector.

    Francês

    Cl. Geraldo Ladislau Campos

  • Connector.

    Matemática

    Pe. Domênico Sanguim

  • Connector.

    História do Brasil

    Terezinha de A. Nóbrega

  • Connector.

    Geografia Geral

    Plinio Bonassa

  • Connector.

    Trabalhos Manuais

    Renato Melilo

  • Connector.

    Desenho

    Pe. Domenico Sangüin

  • Connector.

    Canto Orfeônico

    Pe. Nello Bononi

  • Connector.

    Educação Física

    Lauro Paulo Costa (Sargento do Exército)

A sede do Ginásio foi a do Instituto São Pio X. Iniciou suas atividades com apenas a 1ª Série Ginasial, não havendo restrições de credo para a matrícula. As restrições aconteciam em relação ao sexo e internato: sexo masculino e internato só para seminaristas. Funcionava também curso de admissão para melhor preparar os futuros ginasianos.

O ano de 1960 inicia com 90 seminaristas e 70 alunos externos.

Em 61, são 83 seminaristas e 150 alunos externos.

Continuam os trabalhos de ampliação do dormitório para ter mais vagas para os seminaristas.

Em 61, já começam a aparecer os alicerces da nova Igreja Matriz.

Em 62, contávamos com 92 seminaristas e 115 alunos do Ginásio e 50 para o curso de admissão.

Em 63, assume o novo diretor Pe. Augusto de França Viana e pouco depois na paróquia temos, Pe. Tarcísio Lovo; Pe. Renato Scano faz parte também da comunidade religiosa e Pe. Domingos Sanguim é transferido para Juiz de Fora. Chega também Ir. Italo Saran.

Em 1963 acontece a inauguração do novo dormitório e os seminaristas colaboram com o trabalho na roça e na fábrica de sabão.

Em 1964, Pe. José Rosin é chamado para mestre de noviços. Chega Pe. João Salvador para substituí-lo e também Pe. Mário Scalco para trabalhar na Capela de Treviso. Para escola chega o Irmão Macário Piastrella.

O Diretor Geral Dom Giuseppe Zambarbieri autoriza a aquisição de um terreno ao lado do Seminário. Temos então 153 seminaristas e 100 externos.

A construção do Instituto está concluída.

Em junho, Dom Giuseppe Zambarbieri visita o Seminário e sugere a construção de um pré-seminário em Treviso. A idéia não vingou.

Em 11 de outubro de 1964 é inaugurada a nova Matriz Nossa Senhora Aparecida, sendo concluídos os acabamentos em 1965.

Em 1965, assume a direção Pe. Renato Scano, auxiliado pelo Pe. Cesar Lelli, Pe. Tarcísio Lovo; Pe. Luiz Frison, ecônomo.

Na paróquia temos como vigário Pe. João Cruciani.

O curso ginasial recebe orientação para o trabalho segundo as leis do governo. Contamos com 126 seminaristas.

Em 1966, iniciou-se a construção do Ginásio de esportes coberto visando atendimento a alunos, seminaristas e jovens da comunidade.
A partir de 10/11 do mesmo ano, houve a unificação das três subdivisões: Instituto São Pio X, Ginásio Dom Orione, Escola Agrícola São Defende que juridicamente foi fundada numa só: O Instituto São Pio X, permanecendo Ginásio Dom Orione como departamento.

Em outubro de 69, acontece uma grande reunião envolvendo as autoridades de ensino para estudar a possibilidade de fundação de 2º Grau no Instituto São Pio X. A idéia foi bem aceita junto às autoridades responsáveis e comunidade.

Conta o Irmão Leonildo Mendes: “Neste ano foi inaugurado o ginásio de esportes Dom Orione e isso provocou grande movimentação da comunidade junto ao Instituto São Pio X. O ginásio do Dom Orione tornava-se uma das grandes vedetes do sul junto ao Marista de Criciúma. No ano de inauguração, 1969, a praça de esportes Dom Orione polarizou grandes eventos esportivos e culturais. Ela se tornara o cérebro e a mola propulsora de Siderópolis. Grandes nomes do esporte criciumense como tenente Ivan Carlos, Joel Tanga, Carbone, Daniel Baum, pisaram no chão de nosso Ginásio, conta Irmão Leonildo Mendes. Quando da chegada do homem a lua em julho de 1969, foi no Dom Orione, que a multidão festejou com o “Baile da Lua”.”

Até 1969 a freqüência ao Ginásio era exclusivamente masculina.

Observação: A capela do Seminário recebeu também da comunidade de Rio Fiorita, a imagem de São Defende, padroeiro de uma das capelas do bairro destruída na expansão da mineração, pela Companhia Siderúrgica Nacional. Assim além do padroeiro do Seminário São Pio X, São Defende também começa a ser festejado pela comunidade de Siderópolis.

O Colégio Dom Orione abriu as suas portas à clientela feminina a partir do ano de 1970, e o principal conquistador desse espaço foi o Pe. Luiz Angelo Frison. Foram quase dois anos de estudos, pesquisas e análises. Procurou informações em colégios de Criciúma onde já havia meninas. Entre eles: Colégio Marista, SATC e em alguns colégios estaduais. Todos disseram que a relação era amistosa e que não havia problemas.

“O que não fiz pelo Brasil em vida, farei após a minha morte” Dom Orione